
Parashá Vayishlach – E Enviou
Obadias 1 : 1-21
Brit Hadashá – I Coríntios 5:1-13; Apo 7:1-12
Nesta semana iremos levar as nossas almas para uma dimensão elevada que é vencer o orgulho, humilhar-se para ser cabeça. Só a humildade é capaz de nos tornar cabeça e não calda, e então sermos o líder da nossa história, do nosso destino. A humildade é o eixo que faz girar o círculo da vida e nos leva ao crescimento e ao amadurecimento. Por isso o Eterno nos alertou que “quanto maior for a vossa humildade, maior será a vossa autoridade.”
Nós aprenderemos nesta semana com a vida do nosso patriarca Jacó o que é um fundamento de humildade e perseverança, como obedecer a D-us e cumprir Seu chamado e consequentemente deixarmos um legado para as futuras gerações. Dentro deste episódio clássico e fascinante do encontro entre Jacó e Esaú podemos ver que não trata-se apenas de um simples encontro entre irmãos que não se vêem há muito tempo, mas um encontro de caráter histórico com consequências para todas as nações, por todas as gerações.
Jacó nos ensina que o homem forte é aquele que vence a sua arrogância e orgulho, que busca a humildade em seu coração e espírito e que se submete ao desejo do Eterno. Jacou sentou-se à mesa da sabedoria e discerniu entre o tempo e o modo. Abraçou as oportunidades que o Eterno lhe deu (porque Adonai nos dá oportunidades de auto anulação), e entendeu que os sacrifícios que mais agradam a D-us são o “espírito quebrantado e o coração contrito”. Essas ações levam o homem à autocompreensão tão necessária para estar na presença de HaShem. Os sábios dizem que o arrependimento traz cura ao mundo e extermina a yêtzer hará – a má inclinação que cega o homem e tortura sua mente com os ataques ferozes dos desejos grosseiros da alma animalesca.
No cap 32:4 Jacó vai viver sozinho em meio a seus conflitos e vai precisar estar completamente preparado para esse momento de decisão, após vinte anos de amargura e ódio. Ele sequer tinha conhecimento de como estava o coração de Esaú, mas era necessário enfrentar aquela situação que precisava ser consertada; esse era o tempo para o tikun olam e a coragem teria que vencer o medo.
Conosco não é diferente, quando chega a hora dos ajustes precisamos ter coragem, humildade e sabedoria para alinhar o caminho. Não podemos caminhar sem remover as pedras que foram colocadas no labirinto da vida, pedras que foram colocadas tanto por nós quanto por nossos familiares.
Jacó age sabiamente, enviando à sua frente mensageiros que encontrem seu irmão Esaú para dizer-lhe: “Assim direis a meu senhor, a Esaú: Assim falou teu servo Jacó: Com Labão morei, e demorei-me até agora.”
Jacó com toda humildade manda presentes e chama seu irmão todo o tempo de senhor, além dos temores que sentia, – não podemos nos esquecer em tempo algum que somos humanos e temos temores na vida – ele sentiu também muita angústia porque agora não estava sozinho, mas haviam muitos com ele por quem era responsável e por quem temia pela vida.
Jacó sabiamente se humilhou para vencer, porque o amor tem o poder de quebrar o jugo do mal, Jacó abre mãos de seus desejos e se entrega ao desejo Divino. Ele entende que a humildade era a única ferramenta para consertar o seu passado.
Jacó buscou uma estratégia, dividiu o povo que estava com ele em dois acampamentos, pois caso Esaú ferisse o primeiro acampamento o outro poderia ser salvo. Dessa forma ele nos ensina que devemos ser prudentes em dias de guerra ou de confronto, mesmo que as intenções sejam as melhores.
O Zôhar diz “Quando agem na terra, agem também nos céus!” – Jacó fica sozinho e vai buscar a D-us e pedir Sua proteção; dizem os sábios: “O temor e o amor são duas asas que através da oração unem a pessoa com D-us e santificam o homem em baixo e a presença de D-us vem à terra.”
Jacó ora ao Eterno lembrando as promessas que fez a Abraão, a Isac seu pai e as promessas que tinha feito a ele de livramento. Ele suplica a D-us: “Livra-me, rogo, da mão de meu irmão, da mão de Esaú porque eu o temo”. Às vezes tememos coisas da vida e a única forma de nos livrar é orando para que o anjo receba ordens a nosso respeito, para nos livrar em todo nosso caminho.
Jacó coloca seu destino na mão de D-us, a oração é a respiração da alma.
A Torá relata o costume de dar presentes aos seus perseguidores e podemos ver casos como esse até hoje. Por causa desse ato de Jacó que a ira de Esaú foi aplacada, pelos atos de bondade. Jacó presenteou a Esaú com um pouco de tudo que ele possuía, exceto os escravos, pois poderiam ser usados contra eles para matá-los. Ele agiu em todo tempo com grande sabedoria, tomou suas duas mulheres e seus filhos e suas servas e cruzou a passagem do rio Laboc. Léo fala em sua parashá que essa expressão ” da mão” é repetida várias vezes, a Torá não desperdiça palavras, eu somos levados a achar que uma vez seria suficiente! A razão pela qual as palavras “da mão” são repetidas é para nos ensinar que quando um irmão de (sangue ou não) se torna seu inimigo, ele se torna um inimigo muito mais perigoso que qualquer outro estranho. Um comentarista do Talmud acrescenta que um ex amigo muito querido se torna o pior dos inimigos, no entanto, quando dois inimigos se tornam amigos, esta se torna a mais forte das amizades.
E ficou Jacó só e lutou um homem com ele, até levantar-se a aurora. Lutar fala de perseverança, coragem, determinação para vencer. A Torá relata que a palavra luta vem da raiz avac que significa (poeira) lutando com o anjo, ou seja, levantou muitas poeiras que estavam em sua alma. Jacó nos ensina que muitas vezes nossas vidas estão empoeiradas pelas situações da vida e do passado mal resolvido e que precisamos orar até a poeira levantar, o mal sair e sermos tocados por D-us. A Torá diz que o homem que lutou com Jacó queimou-o com fogo. Os sábios dizem que este homem tinha três aparências: sedutor, manso e bondoso; bandido e sábio para poder conservar seu legado espiritual, mas Jacó lutou até ser entregue ao seus descendentes.
Naquela noite Jacó estava sozinho sem proteção ou bens, somente seus temores para vencer e deixar o legado para as próximas gerações. Alguns sábios dizem que o anjo encarnou a essência do caráter de Esaú, mas esta luta operou no grande encontro material e real entre os dois irmãos. Jacó saiu daquele encontro vitorioso e abençoado porém, marcado por toda sua vida, seu músculo mais forte de sua perna foi atingido, tendo-o deixado manco e indefeso, mas ao levantar da aurora o sol apareceu, reafirmando que o choro pode durar uma noite mas, ao amanhecer virá a alegria. Este episódio revela o vigor moral e a verdade do compromisso histórico, o anjo desiste de ver o quanto ele é forte e deseja deixar a história para o Messias concluir com seu reino poderoso. Ele diz ao anjo: “só te solto quando me abençoares, reconheça e proclame a todos os reinos que eu não mereço o ódio e o desprezo, que pelo contrário mereço ser abençoado, pois sobre o abrigo do meu caminho, toda a humanidade será abençoada.”
Que lição de perseverança e humildade ele deixa para nós, que devemos buscar sabedoria para viver, humildade para vencer sempre, orar para ter forças para vencer as noites escuras da vida, até que a luz rompa e nos torne vencedores.
No cap 33 acontece o grande encontro, ” Quando Jacó sai daquela luta como um príncipe de D-us, seu nome agora torna-se Israel, que seria a raiz de seu povo e toda humanidade que iria crer no Messias.” Ele olha e eis que vem Esaú e com ele quatrocentos homens. Jacó prostra-se diante dele sete vezes até chegar a seu irmão. Esaú corre a seu encontro e abraça-o e o beija, e ambos choram. Esaú lhe pergunta quem são aqueles que estão com ele e ele lhe responde: são os filhos que D-us me deu, com sua graça a seu servo. Jacó fazia questão de anunciar-se como servo. A força inabalável de se ligar com o espiritual nasce da humildade, que faz o homem reconhecer, por um lado sua estatura pequena, e por outro a imensidão potencial de seu crescimento.
Rabino Yochanan disse: “Onde você encontrar a humildade do sagrado, encontrará sua grandeza.”
Esaú que deixar uma parte do seu povo e Jacó com palavras mansas diz que não, pois ele sabia que era um perigo para seu povo misturar-se com o povo de Esaú. Jacó não deixa em nenhum momento de ser humilde. Após separarem-se, Esaú voltou para Seir e Jacó partiu para Sucot e edificou ali uma casa e, para seu gado cabanas, por isto chamou aquele lugar Sucot. Depois de vinte anos Jacó constrói uma casa. Podemos imaginar que depois do exílio chegamos em Sucot e tabernaculamos com D-us.
E comprou um campo onde armou tenda, das mãos dos filhos de Chamot pai de Shechem por cem moedas, levantou um altar D-us (EL), o D-us de Israel.
Aprendemos com o nosso patriarca a caminharmos livres de acusações do inimigo, e para isso é preciso fazer uma ligação entre o presente e o passado, e poder discernir os impedimentos do futuro e nos ajustarmos para ter paz e amor mesmo não estando juntos. Foi isso que ele fez, buscou sabedoria e se segurou com a humildade para se tornar forte diante dos grandes, pois quem vence não são os grandes, mas os fortes.
No cap 34: Diná a única filha de Jacó deveria ser o xodó deles, mas um dia a vergonha e tristeza abate a família por vê-la desonrada por um príncipe pagãoSeus irmãos se vingam covardemente e sem pensar, matando todos inesperadamente. Esta atitude feriu muito o coração de Jacó, por ver seus filhos que tinham uma grandiosa promessa agirem de uma forma que não condizia com um comportamento sacerdotal.
Jacó não aprovou a atitude de Levi e Simeão, mas agora já estava feito e teria agora que suportar as conseqüências.
No cap 35: D-us disse a Jacó: “Levanta-te, sobe a Bet-EL, e fica ali ,e faz ali um altar ao D-us que te apareceu, quando fugiste de diante de Esaú, teu irmão.” Jacó dá uma ordem para tirarem os deuses estranhos e purificarem-se e mudarem as vossas roupas. Jacó é agradecido a D-us por ter lhe respondido no dia da angústia e nunca devemos esquecer o que D-us faz em nossas vidas. Ele reconhece que se não fosse D-us que esteve o tempo todo do seu lado ele não teria vencido no caminho da vida.
Eles ficaram com os objetos do saque que fizeram em Shechem, os quais serviam a ídolos e Jacó ordena que lancem fora pois iriam levantar um altar a D-us e não poderiam estar contaminados com os ídolos.
D-us os protegeu dando Seu pavor aos arredores e os filhos de Jacó não forma perseguidos. Isso deixa provado que quando nos purificamos dos ídolos, Adonai lança pavor em nossos inimigos. B,H!
A Torá relata a morte de Débora, ama de Rebeca; na mesma época morreu Rebeca e Isac por estar cego e de idade avançada, como não podia cuidar do enterro da matriarca e seria vergonhoso não ter as honras devida de sua morte, pois a morte de um justo é precioso e honroso e não foi feito pelos familiares e sim pelos vizinhos.
O nome de Jacó é mudado para Israel, seu nome é mudado da aflição, removido de seus sofrimentos e seu nome é como uma coroa de honra de um vencedor. As aflições tem a finalidade de nos tornar vencedores na vida. Rabino Paulo escrevendo uma de suas cartas expressa: “quem poderá nos separar do amor de Adonai? Nem a fome, espada, anjos, nem profundidade nem altura nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de D-us.”
Logo depois, ele perde sua mulher amada Raquel quando dà à luz seu filho. Raquel morre prematuramente com 36 anos, alguns sabios dizem que Raquel morreu por causa da proibição futura de não se casar com duas irmãs através do mérito de Jacó e portanto ele não podia permannecer casado com as duas irmãs.
Isac faleceu já velho aos oitenta anos, pleno de dias e os seus filhos Esaú e Jacó sepultaram-no.
Rubem por vingança porque seu pai não ficou imediatamente com sua mãe, e para afrontá-lo se deita com Bilá, concubina de seu pai. Por isso ele é punido perdendo a primogenitura para José. Imaginamos que Jacó preferiu morar com Bilá por causa dos dois filhos que eram pequenos. Nosso atos não podem ser medidos por justiça própria, pois pelos nossos impulsos podemos perder a nossa primogenitura, aquilo que está reservado para nossas vidas.
O cap 36 está relacionado a genealogia de Esaú. A Torá deixa registrado os oito reis edomitas que reinaram antes do primeiro rei israelita e com isso fica clara a profecia que no ventre de Rebeca haviam dois reinos e duas nações, uma de governo humano e outra de governo espiritual, uma que reinaria primeiro que o governo humano fisico e o outro de onde viria o reino messiânico que reinará para sempre!
Aprendemos nesta porção que Jacó foi um homem íntegro capaz de humilhar-se, vencer a si mesmo, fez-se servo sendo senhor, conquistou uma herança pelos méritos de sua obediência e foi perseverante até o fim.
Que sejamos a continuação deste homem humilde, sábio e forte!
Um dia perguntaram a um Rabino: “Quem é o homem sabio? Ele respondeu: aquele que aprende com todas as pessoas.
Quem é o homem forte? Aquele que vence a si mesmo, esse é um homem forte.
Quem é o homem rico? Aquele que se contenta com sua porção.”
Que o Eterno nos ajude a cada semana a construir uma alma nobre em nós, com a essência da Torá.
Baruch HaShem – Aluna jucy.