Parashá Noach (Noé)

"Parashá" (Estudo semanal) – Noach (Noé) – Gen.  6.9 – 11.32

"Haftará" – Isaias 54.1 – 55.5.

Leitura Nova Aliança – Mat. 24.36 – 44 Atos 2.1 – 16

No estudo da semana passada adiantamos comentários sobre a parte material da "parashá" deste Shabat, com a ideia, basicamente, de analisar a leitura do ponto de vista de compreensão de fatos, narrativa histórica ou análise de mitos e tradições folclóricas.

Assim, recomendamos a leitura do livro do rabino Arieh Levin "A Longevidade e a Idade do Universo" como referência para uma análise rabínica do que denominamos o "Big Bang" e a longevidade dos primeiros patriarcas, anteriores a Abrahão.

Obviamente, recebemos comentários sobre os famosos versículos que falam das filhas dos homens e os filhos de D...s,  a relação entre eles e os "nefilim", etc. etc.

Não faltam explicações com base na arqueologia e outras disciplinas cientificas para dar explicação sobre esses versículos, mas não é a nossa intenção dissertar sobre esses temas no comentário de hoje.

Entre outras coisas, por ser de importância secundaria, diríamos até sem importância...

A mensagem de D..s, nos seus primeiros passos, dirigida as sociedades muito primitivas, por força chegava numa "embalagem" apropriada à compreensão dessas sociedades. Nessa linguagem a fabula e o mito eram um meio de "ensino" básico e imprescindível...

Mas, fora da embalagem, a mensagem possuía outra profundidade, a Palavra de Ha Shem, e no comentário deste Shabat gostaríamos de falar um pouco mais sobre a simbologia que esta "parashá" nos transmite.

A Arca, por definição, nos lembra um refúgio, uma proteção de elementos perigosos, neste caso representados pelo Diluvio.

Noé não recebe de Ha Shem uma Arca pronta – o seu (nosso) refúgio teve que ser construído por ele (nós) mesmo. Em outras palavras, primeira mensagem:

NÃO EXISTE REFUGIO AUTOMÁTICO DOS PERIGOS, O NOSSO REFUGIO DEPENDE TAMBÉM DOS NOSSOS ESFORÇOS. NO "CONTRATO" ENTRE O HOMEM, O SER HUMANO, E HA SHEM, A HUMANIDADE ASSUME RESPONSABILIDADES A CUMPRIR.

7.4 – "Daqui a sete dias farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites..."

Chega aqui na Palavra, pela primeira vez, o conceito de "quarentena" – o mínimo de quarenta dias de .... Purificação. Essa chuva constante vai servir para um novo começo, depois de purificar o que estava podre, deturpado... aquilo que os primeiros homens tinham, em poucas gerações, conseguido estragar.

Mas, não menos importante, aparece novamente o número sete, indicando caminho de perfeição – os animais puros serão sete casais, sinal claro da importância de manter uma pureza especial na preparação desse novo início (os animais impuros, apenas um par...), e o tempo de purificação chega depois de um tempo de pré-aviso, de preparação antecipada  ( "Daqui a sete dias"...).

A segunda mensagem desta "parashá", simbolicamente, é também bem clara - UM PERIÓDO DE PURIFICAÇÃO QUE LEVE A UM NOVO CAMINHO PRECISA SER ANTECIPADO POR UMA ETAPA DE PREPARAÇÃO, DE PRE AVISO...

O conceito que a Palavra nos ensina é que devemos nos preparar espiritualmente, a plena consciência, de que estaremos iniciando e seguindo uma etapa, às vezes até longa e difícil, de autopurificação, deixando para trás os perigos e as ameaças, as tentações muitas vezes tão atrativas, o caminho fácil.

A história e cronologia que se refletem nas "parashot" iniciais, sem dúvida são interessantes e até muitas vezes despertam a curiosidade do leitor da Bíblia num ponto ou outro.

Mais importante, com certeza, é descobrir a maravilha da Mensagem de Ha Shem que existe nessa simbologia tão rica...

Shabat Shalom!

Rabino Yehuda Hochmann (Ben Haim)

Beer Sheba, Deserto do Neguev, Israel.