Parashá Vayetze

(E saiu)

"Parashá" (Estudo Semanal) – "Vayetze" (E Saiu...)

 

Gen. 28.10 – 32.3

"Haftará" _ Oséas 12.13 – 14.10

 

Nova Aliança – João 1.43 – 51

 

Como em tantos outros episódios narrados na Torah, esta "parashá" também nos traz lições importantes, utilizando uma simbologia que podia ser entendida claramente pelas pessoas da época...que, lembremos, muitas vezes escutavam essas narrativas não numa sinagoga como hoje, mas em volta de uma fogueira, em algum lugar no meio do deserto…

 

Várias partes são, sem dúvida, dignas de ser comentadas, como o fato de que Lavan ensina uma lição muito clara a Jacó, lembrando como ele recebeu a primogenitura de Esaú, ou dando a Leah em lugar de Rachel depois de cumpridos os sete anos de trabalho…

 

Ou a origem dos nomes dos futuros líderes das tribos, cada um com o seu significado…

 

Também como Jacó "convence" as ovelhas ou cabras a verem um mundo de manchas e listradas, através do truque das varas marcadas junto às fontes de água…

 

Mas o que vemos claramente ao longo da narrativa deste Shabat, do princípio ao fim, é que Lavan, tio de Jacó mas também seu sogro, se comporta de um jeito equivocado, pouco honesto para com o sobrinho – genro…

 

Quando Jacó se afasta dele, com suas esposas e filhos, com tudo aquilo que a ele pertence de pleno direito, Lavan, furioso, saiu em sua perseguição, e, depois de alcançá-lo, o acusa de ingratidão, amargamente, com palavras muito duras.

 

A resposta de Jacó é um desabafo bem comprido e não menos cheio de amargura, detalhado no capítulo 31, versículos 36 a 42, lembrando todas as injustiças cometidas por Lavan ao longo desses anos para com Jacó - promessas que não se cumpriram, castigos injustos, salários que não foram pagos…

 

Realmente, quando lemos essa lista detalhada de injustiças, não podemos deixar de pensar que Lavan era uma pessoa muito ruim, de pouco caráter…

 

Ainda por cima, continua na idolatria, com ídolos na sua casa…

 

Mas, se esse idolatra, como veremos que acontece ainda muitas vezes na Torah, é na verdade um instrumento de Ha Shem?

 

O ponto importante nesta "parashá", no nosso humilde entender, é justamente o seu início…

 

Vemos em 28.12 o sonho de Jacó, onde os anjos de Ha Shem sobem e descem por uma escada entre o céu e a terra.

 

A reação de Jacó, ao acordar, é de espanto, assustado, como é normal com alguém que teve um sonho que ao mesmo tempo é uma revelação – o caminho entre o céu e a terra tem DUAS DIREÇÕES, deve se dar para receber, deve se cumprir com as obrigações para poder exigir os direitos, NADA VEM DO CÉU AUTOMATICAMENTE

 

Mas vejamos a reação de Jacó, já recuperado da emoção que teve ao acordar – depois de receber uma promessa muito clara de Ha Shem sobre proteção divina e o futuro brilhante da sua descendência…

 

A chave desta "parashá" está, com certeza em 28, 20-21

 

"Jacó fez um voto – Se Ha Shem for comigo, e me guardar na estrada pela qual viajo, der-me pão para comer e roupas para vestir, para que eu volte para a casa do meu pai em paz, então Adonai será o meu D..s"…

 

Em outras palavras - Jacó é o "inventor" da famosa "listinha de compras" com a qual tantas e tantas pessoas chegam à igreja ou à sinagoga, "condicionando" a sua "fé" a uma série de exigências e demandas de D..s, seja trabalho, seja saúde, seja casamento de filha solteira, comprar um carro ou um apartamento, riquezas, achar a chave que perdeu, ganhar na loteria e daí pra frente…

 

A "listinha" pode ser verbal (acha que ao pedir está orando) ou com um papelzinho enviado ao Muro das Lamentações, vai lá D...s não é bom de ouvido, que Ele possa ler também.

 

Pelas dúvidas, pode-se queimar os pedidos, índio entendia sinais de fumaça, com certeza D..s vai entender também…

 

Isso, meus caros, não é menos idolatria que Lavan, correndo atrás dos seus ídolos.

 

Isso tudo, infelizmente, não é Fé, É FALTA DE FÉ

 

D..s não faz essa promessa a Jacó – ou a nenhum de nós – baixo "condições", o ser humano não é ninguém para sair exigindo de D..s isso o ou aquilo, "senão eu não acredito, tá vendo, eu pedi isso e aquilo e não recebi", "mas está escrito pedindo sereis ouvidos e Ele tudo vos dará"…

 

Muitos acreditam que funciona sempre como um caixa automático, você chega lá inserta o cartão de crédito e recolhe o dinheiro…

 

Mas, meus caros, se vocês não têm fundos no banco, o caixa automático também não vai lhe dar nada...e não adianta prometer que no futuro vai depositar…

 

D..s escuta a "promessa condicional" de Jacó – e os próximos vinte anos vão ser para Jacó vinte anos de instrução em humildade, duros, de muito trabalho e muitas decepções, ao mesmo tempo que pouco a pouco ele está conseguindo formar a sua tribo, casar, ter filhos, progredir, ele vai entender que a Palavra de Ha Shem se realiza, mas antes precisa aprender a não colocar imposições ou exigências, a não chegar com uma "listinha de compras"…

 

Lavan não se comportou, muitas vezes, corretamente – mas na prática, mesmo sem ser consciente, estava servindo de instrumento de Ha Shem, como base da educação de Jacó no caminho da humildade e da obediência.

 

As bênçãos de Ha Shem chegam, merecidamente, porque assim Ele prometeu, mas no Reino de D..s, como tantas vezes já dizemos, também se exigem responsabilidades antes de receber direitos…

 

"Exigir e condicionar" nossa "Fé" em D..s pode levar a lições muito duras, a "listinha de compras" pode mesmo ter um resultado que não é exatamente o que esperávamos…

 

Jacó pagou um preço alto até que conseguiu entender essa simples verdade, é bom lembrar disso…

 

Shabat Shalom!

 

Rabino Judá Hochmann (ben Haim).

 

Beer Sheba, Deserto do Neguev, Israel.

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