Parashá Tetzavê

(Ordene)

"Parashá" (Estudo Semanal) – "Tetzavê" (Ordene)

Ex. 27.20 – 30.10

"Haftará" – Ez. 43.10 – 27

Nova Aliança – Filipenses 4.10 – 20

 

Dois capítulos são centrais nesta "parashá" – o 28 e o 29.

O capitulo 28 descreve com o máximo possível de detalhes as vestimentas e os emblemas que o Sumo Sacerdote deveria utilizar – sendo Aharão o primeiro deles -  tradição que continuou depois no Templo de Jerusalém, tanto no primeiro como no segundo Templo.

O capitulo 29 detalha os sacríficos que deverão ser oferecidos para a consagração de Aharão e os seus filhos como ordem sacerdotal hereditária, e, a partir do versículo 36, fala já dos sacrifícios diários que devem ser observados a partir desse momento, não apenas sacrifícios de animais, mas também de produtos agrícolas, azeite e vinho.

Se lemos ambos capítulos com os olhos e a mentalidade de hoje, obviamente vamos achar que são quase que absurdos e incompreensíveis.

Mas já muitas vezes explicamos que devemos estudar cada parte da Bíblia, obviamente, a Torah, dentro do contexto social e cultural de cada época especifica.

No capítulo 28, versículo 2, diz assim – "Faça para seu irmão Aharão, roupas separadas para servir a D..s, que expressem dignidade e esplendor"

Nas civilizações daquela região e naqueles tempos, um sacerdote deveria se vestir de forma diferenciada, ritualística, com "dignidade e esplendor" – e Adonai coloca o sacerdócio do povo de Israel ao mesmo nível dos outros povos, mesmo se o templo deles ainda não existe materialmente.

Resultado que era de se esperar, está claro – nos dias de hoje vamos nos deparar com muitos "sacerdotes" que aparecem com todo tipo de "vestimentas sacerdotais", muitas vezes num lamentável desfile ridículo de fantasias digno de um carnaval... achando que com isso vão adquirir "dignidade e esplendor" como está escrito na Torah...

Nos permitimos aclarar este ponto, muitas vezes levantado em discussões com aqueles que querem chegar a um "judaísmo messiânico" o "mais perto possível das fontes judaicas"...

O povo de Israel no contexto daquela cultura e sociedade precisava de rituais determinados para poder aprender e assimilar as mensagens de D..s – hoje  nós estamos vivendo numa realidade diferente, onde o ritual do culto ainda precisa de uma simbologia determinada, básica e clara, que define os parâmetros e bases que orientam a nossa fé e o nosso culto.

Mas, meus caros amigos, hoje o essencial não é a embalagem, é o conteúdo.

Hoje estamos capacitados para ler, escrever, entender de um jeito muito diferente a Mensagem, a "dignidade e o esplendor" não devem ser mais representados por um tipo especifico de vestimenta, mas sim pelo conteúdo da mensagem que o líder da comunidade é capaz de transmitir, de comunicar, de ensinar a aqueles que o escutam...

Sinto decepcionar a muitos, mas acredito que o paletó e a gravata não fazem de nenhum de nós um líder com mais ou menos "dignidade e esplendor"...

O capitulo 29 fica mais difícil ainda de ser "aceito", por assim dizer, e realmente não é fácil entender todo o ritual – que também seria mantido no Templo de Jerusalém – dos sacrifícios de animais.

Porém fica um pouco mais claro se entendemos que esse ritual de sacrifício de animais e produtos agrícolas tem as suas raízes muito antes, no início da humanidade praticamente, e vemos isso desde Cain e Abel, e com Abrahão no seu caminhar pela Terra Prometida.

Se um pastor de ovelhas e cabras desejava dar o melhor que possuía como oferenda a D..s, não tinha outra escolha senão oferecer um cordeiro ou cabritinho, porque era o único bem que ele possuía de valor.

Se deixava essa oferenda sobre o altar, os animais selvagens devorariam a oferenda pela noite, e como o conceito básico era que D..s reside no céu, queimar a oferenda para fazer que chegasse a D..s era a decisão lógica.

Adonai prepara para o povo de Israel um sistema ritual que o povo é capaz de entender e assimilar, cujo objetivo principal é educar esse povo no conceito de que os símbolos são importantes, mas também são importantes as bases de ordem e disciplina no culto a Ha Shem.

Em outras palavras – existe um marco determinado que deve ser organizado e aceito segundo os parâmetros de cada denominação ou orientação teológica, e a partir desse marco o culto deve seguir uma linha clara de ordem e disciplina.

Não há nenhuma necessidade de tentar imitar o que se fazia naquela época tal como está escrito ou detalhado na Torah.

Indo por essa linha de pensamento, de tentar reproduzir fielmente o que Ha Shem ensinou ao povo de Israel na Torah, daqui a pouco alguém vai ser capaz de começar a fazer sacrifícios de animais...

Esperemos que não...

 

Shabat Shalom!

Yehuda Hochmann (Ben Haim)

Beer Sheba, Deserto do Neguev, Israel.

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